Dani Cunha rompe com Gigi Castilho e acusa ex-aliada de “enorme traição”
Deputada do PL afirma que ajudou a lançar vereadora na política e critica apoio a candidatos de outras legendas; Gigi responde que tem autonomia para fazer suas próprias escolhas

A aliança política entre a deputada federal Dani Cunha (PL-RJ) e a vereadora Gigi Castilho (PL) chegou ao fim de forma pública, em meio à movimentação das eleições de 2026. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Dani afirmou que foi uma das responsáveis pela entrada de Gigi na política e classificou como uma “enorme traição” a postura adotada pela antiga aliada.
O rompimento expõe uma disputa por espaço político na Zona Oeste do Rio, especialmente em Sepetiba, onde as duas construíram parte de suas bases eleitorais. A crise também ganhou dimensão eleitoral porque Gigi passou a aparecer em atividades e materiais de campanha ao lado de candidatos de outras legendas, entre eles Leandro do Waguinho e Waguinho, do Republicanos.
Dani afirmou que esperava que Gigi mantivesse alinhamento com o grupo político que, segundo ela, participou de sua chegada à Câmara Municipal. A deputada cobrou da vereadora “lado, palavra e gratidão” e criticou a decisão de seguir uma estratégia eleitoral própria.
Dani fala em rompimento e cobra lealdade
No vídeo, Dani Cunha relembrou sua participação na construção da candidatura de Gigi e afirmou que a escolha tinha como objetivo fortalecer a representação política de Sepetiba e da Zona Oeste.
A deputada disse ter se surpreendido com a mudança de posicionamento da vereadora e afirmou que Gigi passou a conduzir seu mandato de acordo com seus próprios objetivos, em vez de seguir as estratégias do grupo que a apoiou.
A expressão mais dura usada por Dani foi “enorme traição”. Segundo a deputada, a relação política deixou de existir e seu grupo seguirá outro caminho na região.
O rompimento ocorre em um momento no qual as alianças locais ganham peso para a eleição de outubro. A movimentação de Gigi com candidatos de outras siglas já vinha sendo observada antes do rompimento público. Em agosto, ela participou de uma carreata em Nova Sepetiba ao lado de Leandro do Waguinho, candidato a deputado estadual pelo Republicanos, e apareceu em materiais de campanha junto dele e de Waguinho, candidato ao Senado pelo mesmo partido.
Gigi reivindica autonomia política
A resposta de Gigi Castilho seguiu uma linha diferente da acusação feita por Dani. A vereadora defendeu a autonomia do próprio mandato e afirmou que suas decisões políticas cabem a ela.
“Eu tenho minha posição e faço minhas escolhas”, declarou Gigi.
Em outra manifestação, reforçou: “O mandato é meu. Minha consciência é minha. Minhas escolhas políticas também”.
A posição ajuda a explicar o principal ponto de divergência entre as duas: enquanto Dani cobra fidelidade ao grupo político que ajudou a construir a trajetória eleitoral da vereadora, Gigi sustenta que o mandato lhe permite definir seus próprios posicionamentos e alianças.
A presença da vereadora em palanques de candidatos de outras legendas tornou essa divergência ainda mais visível. Embora esteja filiada ao PL, Gigi apareceu publicamente ao lado de nomes do Republicanos durante a atual campanha.
Investigações sobre creches também entram no conflito
No vídeo, Dani Cunha também mencionou as investigações envolvendo creches comunitárias relacionadas à vereadora e a familiares. O tema já vinha sendo acompanhado pelas autoridades e pela imprensa antes do rompimento.
Em novembro de 2025, a Polícia Civil cumpriu 29 mandados de busca e apreensão contra pessoas e empresas relacionadas à investigação. O caso envolve suspeitas de crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro. Em junho de 2026, reportagens passaram a mencionar depoimentos e indícios relacionados à documentação de creches investigadas.
A menção ao caso, entretanto, não significa que Gigi Castilho tenha sido condenada. A vereadora é investigada no contexto dessas apurações e, segundo informações divulgadas sobre sua defesa, nega responsabilidade pela gestão financeira das unidades.
O episódio ganhou novo contorno depois que a própria Dani passou a citar as investigações como um dos fatores que contribuíram para sua decisão de romper politicamente com a vereadora.
Disputa eleitoral muda o mapa de alianças em Sepetiba
Mais do que uma divergência pessoal, o rompimento revela uma mudança no desenho político da Zona Oeste às vésperas da eleição.
Gigi passou a construir relações eleitorais que não coincidem integralmente com o palanque de seu partido, enquanto Dani sinaliza que pretende manter atuação própria em Sepetiba e nos bairros onde o grupo consolidou presença.
A movimentação também aproxima Gigi do grupo político ligado a Waguinho, enquanto Dani busca preservar sua influência regional. O Diário do Rio apontou que o episódio já produz repercussões nas articulações eleitorais e nas chamadas dobradinhas para a disputa deste ano.
O resultado é uma ruptura que ultrapassa a relação entre duas políticas. A disputa passa a envolver território eleitoral, alianças partidárias e a capacidade de cada grupo de manter influência na Zona Oeste, justamente em um período em que os acordos para a eleição de outubro estão sendo definidos.
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