Alcolumbre sai em defesa de Moraes e reage às pressões contra ministro em meio à crise do Banco Master
Presidente do Senado questiona críticas ao ministro do STF, cita os R$ 130 milhões do filme “Dark Horse” e evita avançar sobre pedido de investigação contra André Mendonça

A crise envolvendo o Banco Master ganhou um novo componente político nesta semana. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), saiu em defesa de Alexandre de Moraes ao questionar as pressões para que o ministro deixe o Supremo Tribunal Federal ou seja alvo de processo de impeachment. Em declarações no Senado, Alcolumbre afirmou que “todo mundo esqueceu” que houve um pedido de R$ 130 milhões para a produção de um filme e questionou por que, diante das revelações envolvendo Daniel Vorcaro, apenas Moraes estaria sendo apontado como responsável.
A manifestação ocorre no momento em que o STF enfrenta uma das mais delicadas crises internas dos últimos anos. Alexandre de Moraes pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, que sejam apuradas supostas irregularidades atribuídas ao ministro André Mendonça na condução dos casos Banco Master e INSS. Moraes cita possíveis atos de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Paralelamente, Mendonça defende que o plenário do Supremo examine as mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro.
Alcolumbre questiona pressão contra Moraes
Na quarta-feira (2), ao comentar no Senado os pedidos de impeachment apresentados contra ministros do Supremo, Alcolumbre afirmou que faria apenas um comentário naquele momento, mas questionou a forma como o caso vinha sendo tratado.
“Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para fazer um filme e agora o culpado é só o ministro Alexandre de Moraes”, declarou o presidente do Senado. A fala foi registrada pela TV Senado durante a sessão em que parlamentares discutiam o caso Banco Master.
A referência feita por Alcolumbre diz respeito ao financiamento negociado pelo senador Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro para o projeto cinematográfico “Dark Horse”, que pretende contar a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O episódio passou a integrar o debate político depois que mensagens recuperadas do celular de Vorcaro revelaram contatos com diferentes personagens da política e do Judiciário.
Presidente do Senado volta a mencionar o filme
Ao ser questionado novamente sobre o assunto na quinta-feira (3), Alcolumbre manteve a linha de argumentação e criticou as pressões que vem sofrendo para dar andamento a pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes.
Segundo relato do Estadão, o presidente do Senado afirmou que havia “dinheiro para fazer um filme” e que esse aspecto estava sendo deixado de lado nas críticas. Ao ser questionado sobre a quem se referia, respondeu: “Vocês sabem”.
O valor mencionado está relacionado a uma negociação envolvendo R$ 130 milhões para o filme “Dark Horse”. A participação de Flávio Bolsonaro nesse episódio também aparece no material que passou a ser analisado no contexto da crise do Banco Master.
Alcolumbre é citado no material relacionado a Mendonça
O nome de Davi Alcolumbre também aparece no embate entre Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Na manifestação encaminhada a Fachin, Moraes afirma que ele próprio e Alcolumbre teriam sido colocados no foco de investigações conduzidas por Mendonça por motivos que, segundo o ministro, seriam pessoais e políticos.
Um relatório da Polícia Federal citado na controvérsia classificou Alcolumbre como um “provável alvo estratégico” das investigações relacionadas ao caso Master. A existência dessa classificação, contudo, não significa que o presidente do Senado tenha sido formalmente acusado de crime.
A citação do senador no material ajuda a explicar por que o episódio deixou de ser apenas uma disputa entre ministros do Supremo e passou a envolver também a cúpula do Congresso Nacional.
Moraes pede investigação de Mendonça
Enquanto Alcolumbre reage às pressões contra Moraes, o próprio ministro partiu para o contra-ataque institucional.
Moraes encaminhou a Edson Fachin um pedido para que sejam investigadas supostas irregularidades praticadas por Mendonça na condução dos inquéritos relacionados ao Banco Master e às fraudes envolvendo o INSS.
Entre as acusações estão supostos abuso de autoridade, improbidade administrativa, crime de responsabilidade, quebra de imparcialidade e favorecimento de determinados grupos políticos.
As acusações foram apresentadas por Moraes e ainda não representam uma conclusão do STF sobre a conduta de Mendonça. O ministro ainda deverá apresentar seus esclarecimentos.
Fachin determina esclarecimentos
Diante da escalada, Edson Fachin determinou que Alexandre de Moraes, André Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestem esclarecimentos sobre a crise.
Os envolvidos receberam prazo de cinco dias úteis para apresentar informações. A medida busca esclarecer as circunstâncias relacionadas ao relatório da PF, à atuação de Mendonça e aos questionamentos apresentados por Moraes e pela PGR.
Fachin já havia classificado o momento como de “especial gravidade” e afirmado que adotaria as medidas necessárias para preservar a integridade institucional do Supremo.
A disputa agora envolve STF, Senado, PGR e Polícia Federal
O caso Banco Master deixou de ser uma investigação restrita às relações de Daniel Vorcaro e passou a produzir uma disputa institucional que envolve diferentes poderes da República.
No Supremo, Moraes questiona a atuação de Mendonça, enquanto Mendonça defende que os elementos encontrados pela PF sejam analisados pelo plenário. Na Procuradoria-Geral da República, Paulo Gonet questiona a validade do relatório produzido a pedido de Mendonça.
No Senado, Alcolumbre resiste às pressões pelo impeachment de Moraes e agora utiliza o episódio envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse” para questionar a responsabilização concentrada no ministro.
O cenário coloca Edson Fachin diante de uma decisão particularmente delicada: definir como o Supremo deverá tratar as informações recuperadas pela Polícia Federal, sem transformar a própria Corte em palco de uma disputa entre seus ministros.
O que ainda precisa ser esclarecido
As mensagens recuperadas do celular de Daniel Vorcaro revelaram relações e contatos envolvendo políticos, empresários e ministros do STF. Mas a existência dos diálogos não é suficiente, por si só, para estabelecer responsabilidade criminal.
Também permanece em discussão a validade do procedimento adotado por Mendonça para aprofundar a apuração e determinar a produção do relatório da PF.
Agora, além de analisar os elementos relacionados ao Banco Master, Fachin terá de administrar uma disputa que já alcançou diretamente dois ministros do Supremo e recebeu forte repercussão no Senado.
O caso ainda está em fase de esclarecimentos. Não há, até o momento, decisão definitiva que confirme as acusações apresentadas por Moraes contra Mendonça ou que estabeleça irregularidade criminal por parte de Moraes a partir das mensagens divulgadas.
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