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Prefeito de Itaguaí revela que enfrentou burnout e transtorno de ansiedade e defende reforço da saúde mental no município

Em live nesta quinta-feira (10), Haroldinho contou que chegou a dormir três horas por noite e passou uma semana sem dormir antes de buscar ajuda médica

Por Redação Correio Rio · RedaçãoPublicado · Atualizado
Prefeito de Itaguaí durante live em que relata experiência com burnout e transtorno de ansiedade.
Prefeito de Itaguaí revelou durante live que enfrentou burnout e transtorno de ansiedade e defendeu maior atenção à saúde mental.Reprodução / Redes sociais

O prefeito de Itaguaí decidiu transformar uma experiência pessoal em um alerta público sobre saúde mental. Em uma live realizada nesta quinta-feira (10), durante o Setembro Amarelo, ele revelou que enfrentou um quadro de burnout e transtorno de ansiedade generalizada (TAG) no fim do ano passado e afirmou que a experiência mudou sua forma de enxergar as políticas públicas de saúde mental no município.

Aos 37 anos na época, o prefeito contou que havia normalizado uma rotina marcada por excesso de trabalho, poucas horas de sono e atividade praticamente ininterrupta. Segundo o relato, ele chegou a dormir cerca de três horas por noite e, em determinado momento, passou uma semana sem conseguir dormir.

“Foi quando eu realmente vi que tinha algo errado comigo”, relatou.

A experiência, segundo o prefeito, o levou a procurar atendimento médico. Ele afirmou que recebeu diagnóstico de transtorno de ansiedade generalizada e descreveu o período como um dos momentos mais difíceis que enfrentou.

Do excesso de trabalho à busca por tratamento

Ao falar sobre o episódio, o prefeito afirmou que durante muito tempo associou dedicação profissional e excesso de trabalho a algo positivo. O problema, segundo ele, foi quando esse comportamento passou a ser tratado como normal.

A rotina de trabalho, as poucas horas de sono e a dificuldade de desacelerar acabaram, de acordo com seu relato, provocando consequências sobre sua saúde.

A experiência pessoal também alterou a percepção do prefeito sobre a necessidade de ampliar a atenção à saúde mental na rede pública de Itaguaí.

Ele citou o médico Edward, que o acompanhou durante o tratamento, e afirmou que o profissional também atendeu seu irmão. Segundo o prefeito, o médico participa de uma proposta para ampliar a atenção à saúde mental no município.

“Saúde mental pode atingir qualquer pessoa”

Um dos principais pontos da fala foi a tentativa de combater o estigma relacionado aos transtornos mentais.

O prefeito afirmou que pessoas que enfrentam problemas psicológicos ou psiquiátricos não deveriam ter vergonha de falar sobre o assunto e destacou a importância da presença de familiares e amigos durante o tratamento.

A Organização Mundial da Saúde também aponta a redução do estigma e a ampliação do diálogo como elementos importantes da prevenção. Para 2026, a campanha do Dia Mundial de Prevenção do Suicídio tem como proposta justamente mudar a forma como o tema é abordado e incentivar conversas abertas e acolhedoras.

O prefeito relatou que encontrou apoio na família, nos amigos e nos profissionais que o acompanharam durante o período de tratamento.

“Eu achava que jamais aconteceria comigo e aconteceu”, afirmou durante a transmissão.

A perda de um jovem aumentou o impacto do desabafo

Durante a live, o prefeito também relacionou sua reflexão sobre saúde mental à morte recente de um jovem identificado por ele como João.

Ele afirmou que não conhecia pessoalmente o rapaz, mas que tinha amigos em comum e ficou profundamente abalado com a notícia.

Sem entrar em detalhes sobre as circunstâncias da morte, o prefeito afirmou que o episódio o fez refletir sobre a importância de prestar atenção às pessoas próximas e de não reduzir a vida ao trabalho e às obrigações cotidianas.

A Organização Mundial da Saúde destaca que cada morte por suicídio provoca impactos profundos sobre familiares, amigos, colegas de trabalho e comunidades. A entidade estima mais de 720 mil mortes por suicídio por ano no mundo.

“A vida não é só trabalho”

Outro ponto central do discurso foi a mudança na própria rotina.

O prefeito afirmou que passou a estabelecer horários mais regulares para dormir e acordar e a reservar mais espaço para a família, os amigos, o lazer e outras atividades fora do trabalho.

A reflexão foi apresentada como parte do próprio processo de recuperação.

“Eu amo trabalhar, mas eu amo também a minha família, amo meus amigos, eu amo cuidar”, afirmou.

Ele também criticou a lógica de comparação estimulada pelas redes sociais, segundo a qual as pessoas passam a medir a própria vida a partir daquilo que observam na internet.

Na avaliação apresentada pelo prefeito, o fluxo permanente de informações, a exposição nas redes e a comparação constante podem contribuir para uma sensação de insuficiência e insatisfação.

Prefeito promete ampliar atenção à saúde mental em Itaguaí

A experiência pessoal também ganhou uma dimensão administrativa.

Durante a transmissão, o prefeito afirmou que pretende ampliar a oferta de atendimento em saúde mental no município e disse que pretende tratar o tema como uma prioridade enquanto estiver à frente da Prefeitura.

A proposta, segundo ele, parte também da própria experiência como paciente.

“Eu sou um paciente que teve esse problema e estou vencendo”, afirmou.

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Setembro Amarelo reforça importância da prevenção

A fala ocorreu justamente em 10 de setembro, data reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. A campanha de 2026 tem como tema “Changing the narrative on suicide”, em português, “Mudando a narrativa sobre o suicídio”, e defende o enfrentamento do silêncio e do estigma por meio do diálogo.

A OMS ressalta que a prevenção do suicídio exige ações de saúde pública e acesso a cuidados de qualidade, além de ambientes nos quais pessoas em sofrimento possam falar e buscar ajuda.

Em Itaguaí, o prefeito encerrou a transmissão reforçando que pretende levar a discussão para além do mês de setembro.

A mensagem central foi construída a partir da própria experiência: reconhecer sinais de sofrimento, procurar ajuda, aceitar o apoio de pessoas próximas e compreender que saúde não se resume às condições físicas.

“É impossível sair sem Deus”, afirmou o prefeito, ao destacar também a importância que a fé teve em seu processo pessoal de recuperação.

O prefeito terminou a live pedindo que familiares e amigos estejam atentos uns aos outros e afirmando que pretende utilizar a experiência que viveu para fortalecer as políticas de saúde mental em Itaguaí.

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