A implementação da tarifa zero no transporte público nas capitais brasileiras pode gerar um impacto econômico significativo no país. De acordo com estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a medida poderia injetar até R$ 60,3 bilhões por ano na economia nacional.
O levantamento, divulgado nesta terça-feira (5), foi intitulado A Tarifa Zero no Transporte Público como Política de Distribuição de Renda e analisa os efeitos da gratuidade no transporte metropolitano por ônibus e sistemas sobre trilhos.
Estudo Aponta Efeito Econômico Direto E Ampliação De Consumo
Segundo os pesquisadores, ao considerar descontos de gratuidades já existentes, como benefícios para idosos, estudantes e pessoas com deficiência, o impacto líquido estimado seria de R$ 45,6 bilhões anuais. A análise indica que a substituição do gasto com transporte por renda disponível poderia gerar aumento imediato no consumo das famílias, funcionando como estímulo econômico indireto. Os dados utilizados têm como base a Pesquisa Nacional de Mobilidade Urbana de 2024 e indicadores operacionais do setor.
Tarifa Zero É Apontada Como “Salário Indireto”
O estudo sustenta que a política de gratuidade pode funcionar como um mecanismo de redistribuição de renda, com maior impacto sobre populações de baixa renda, moradores de periferias e grupos historicamente mais vulneráveis. Nesse contexto, os pesquisadores comparam o potencial da medida a programas de transferência de renda, ao classificá-la como uma forma de “salário indireto”, ampliando o poder de compra sem transferência direta de recursos. A proposta também é apresentada como um possível direito social, em linha com políticas públicas já consolidadas, como saúde e educação.
Modelo De Financiamento Ainda É Tema De Debate
Entre as alternativas de financiamento analisadas, está a reformulação do modelo atual de custeio do transporte, com participação de empresas públicas e privadas com determinado número de funcionários. Segundo os autores, a estrutura sugerida poderia permitir a implementação da política sem impacto direto significativo no orçamento da União, embora o tema ainda dependa de debate técnico e político mais amplo. O estudo foi financiado pela Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero e contou com apoio da Fundação Rosa Luxemburgo.

