PF Aponta Suposto Repasse De Apartamento E Benefícios A Jaques Wagner Em Investigação Do Caso Banco Master
Senador Jaques Wagner é investigado pela Polícia Federal em desdobramento da Operação Compliance ZeroFoto: reprodução
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PF Aponta Suposto Repasse De Apartamento E Benefícios A Jaques Wagner Em Investigação Do Caso Banco Master

Senador nega irregularidades, afirma não ser réu e diz que apartamento nunca integrou seu patrimônio

CR
Redação Correio Rio19 de junho de 2026 às 14:39

Investigação da Polícia Federal aponta supostas vantagens recebidas por Jaques Wagner em caso ligado ao Banco Master. Senador nega irregularidades e diz estar tranquilo.

BRASÍLIA – A investigação que embasou a 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF), aponta que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, teria recebido vantagens econômicas indevidas relacionadas ao empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpriu mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Segundo a representação da PF, existem indícios de que o parlamentar teria sido beneficiado direta ou indiretamente por meio de familiares, pessoas de confiança e estruturas empresariais ligadas ao grupo econômico investigado. A apuração ainda está em fase investigativa e não há denúncia formal apresentada contra o senador.

PF Investiga Suposta Aquisição De Apartamento Em Salvador

De acordo com os investigadores, um dos principais pontos da investigação envolve um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 2,45 milhões no residencial Poème Horto, localizado no bairro Horto Florestal, área nobre de Salvador. A PF sustenta que Wagner teria demonstrado interesse no imóvel e encaminhado ao empresário Augusto Lima informações sobre o empreendimento e o corretor responsável pela venda. A partir daí, segundo a investigação, integrantes ligados ao grupo econômico teriam conduzido a negociação. O caso é tratado pelos investigadores como uma possível vantagem econômica indevida.

Senador Afirma Que Pretendia Recomprar Imóvel Futuramente

Em entrevista à BandNews, Jaques Wagner confirmou que pediu a Augusto Lima que adquirisse a unidade imobiliária, mas negou qualquer irregularidade. Segundo o senador, a intenção era que o empresário realizasse a compra inicialmente como investimento e que, posteriormente, sua família adquirisse o imóvel quando houvesse disponibilidade financeira. Wagner também afirmou que o apartamento jamais foi transferido para seu nome e que nunca integrou oficialmente seu patrimônio.

PF Aponta Outros Benefícios Sob Investigação

Além do imóvel, a Polícia Federal apura supostos repasses financeiros para empresas administradas por familiares do senador. Segundo a investigação, mais de R$ 5,5 milhões teriam sido destinados à BN Financeira, empresa que, para os investigadores, ocupa posição central nas movimentações financeiras relacionadas ao núcleo familiar do parlamentar. A PF também investiga o uso de aeronaves custeadas por Augusto Lima e pelo grupo econômico investigado, além do fornecimento de ingressos para eventos realizados no exterior. Parte das informações foi obtida a partir da análise de celulares apreendidos em fases anteriores da Operação Compliance Zero.

Investigação Também Analisa Atuação Legislativa

Os investigadores analisam ainda a atuação do senador em matérias legislativas consideradas de interesse do grupo econômico ligado ao Banco Master. Entre os pontos citados estão emendas parlamentares apresentadas durante a tramitação de propostas relacionadas ao crédito consignado e a temas do sistema financeiro nacional.

A PF busca identificar se houve eventual contrapartida política em troca das vantagens econômicas supostamente recebidas. Até o momento, não há conclusão definitiva sobre as suspeitas investigadas.

Jaques Wagner Nega Favorecimento E Diz Estar Tranquilo

O senador negou qualquer atuação para beneficiar interesses privados do Banco Master e afirmou que sua atuação parlamentar ocorreu dentro das atribuições normais do mandato. "Até agora, não sou réu; não sou culpado; não sou nada. É uma investigação", declarou o parlamentar ao comentar a operação. Wagner também afirmou que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e demonstrou confiança no andamento das investigações.

PF Apreendeu US$ 49 Mil Durante Busca

Durante o cumprimento dos mandados, agentes da Polícia Federal apreenderam US$ 49 mil em espécie em um endereço ligado ao senador, em Brasília. Segundo a assessoria de Wagner, os recursos são provenientes de diárias legais recebidas durante missões oficiais ao exterior e de recursos próprios declarados à Receita Federal.

O parlamentar afirmou que os valores estavam guardados em um cofre e que não possui qualquer irregularidade relacionada ao montante apreendido.

Defesa Afirma Que Senador Não É Réu Nem Foi Denunciado

Em nota oficial, a assessoria de Jaques Wagner ressaltou que o senador não é réu, não foi denunciado e não responde a nenhuma ação penal relacionada aos fatos investigados. A defesa também reiterou que o apartamento mencionado pela investigação nunca integrou o patrimônio do parlamentar e negou qualquer atuação em favor do Banco Master ou de outras instituições financeiras. Já a defesa de Augusto Lima classificou as diligências da Polícia Federal como desnecessárias e afirmou que o empresário está à disposição das autoridades há meses para prestar esclarecimentos.

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