O júri popular condenou o ex-policial militar Rodrigo Silva das Neves a 32 anos, 9 meses e 18 dias de prisão pelo assassinato do contraventor Fernando Iggnácio. A sentença foi proferida após dois dias de julgamento no I Tribunal do Júri da Capital. O réu está preso desde 2021. A defesa informou que pretende recorrer da decisão.
De acordo com o Ministério Público, o crime foi classificado como homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, uso de meio cruel e mediante emboscada. A acusação sustentou que o ex-PM teria participação direta na execução e na logística da ação.
Decisão Judicial Aponta Papel Central do Acusado
Ao proferir a sentença, o juiz Thiago Portes Vieira de Souza destacou que o conjunto de provas reunido ao longo da investigação — incluindo materiais apreendidos e evidências digitais — indicaria atuação relevante do acusado no planejamento e na execução do homicídio.
Segundo a decisão, um imóvel ligado ao réu teria sido utilizado como ponto de apoio para a ação. No local, conforme consta nos autos, foram apreendidos armamentos e munições. O magistrado também ressaltou que Rodrigo Silva das Neves integrava a Polícia Militar à época dos fatos, o que, segundo a sentença, agrava a conduta.
Julgamento de Outros Acusados Foi Suspenso
Outros dois denunciados no caso, Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro e Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro, tiveram o julgamento suspenso após dispensarem seus advogados durante a sessão, em razão de divergências na estratégia de defesa. Uma nova data ainda será definida.
Além deles, o bicheiro Rogério Andrade foi denunciado como suposto mandante do crime, mas não foi julgado nesta etapa. Outro investigado, Ygor Rodrigues Santos da Cruz, foi encontrado morto em 2022.
Crime Está Ligado a Disputas na Contravenção
Fernando Iggnácio foi morto em novembro de 2020, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio, após retornar de Angra dos Reis. Segundo as investigações, o caso estaria relacionado a disputas entre grupos ligados à contravenção no estado.
O Ministério Público apontou que a execução teria sido planejada com divisão de tarefas entre os envolvidos, incluindo o monitoramento prévio da rotina da vítima.
Acusação e Defesa Apresentaram Versões Divergentes
Durante o julgamento, os promotores sustentaram que provas técnicas, como registros telemáticos, imagens e rastreamento de veículos, indicariam a participação do réu na organização do crime.
A defesa, por sua vez, afirmou que não há provas diretas que vinculem Rodrigo Silva das Neves à execução. Os advogados argumentaram que os elementos apresentados seriam insuficientes para comprovar envolvimento no planejamento ou na prática do homicídio, defendendo a análise individual da conduta de cada acusado.
Após as fases de debates, com réplica e tréplica, os jurados se reuniram e decidiram pela condenação do ex-policial militar.
Desdobramentos do Caso
A defesa informou que deve recorrer da decisão nas instâncias superiores. O caso segue com desdobramentos em relação aos demais acusados.

