Um estudo recente identificou novos fragmentos de ocorrência do pau-brasil no estado do Rio de Janeiro e ampliou o número de áreas consideradas prioritárias para a conservação da espécie. A pesquisa, publicada em 7 de abril na revista científica Oryx, analisou a distribuição da linhagem Paubrasilia echinata arruda-RJ, classificada como ameaçada de extinção. De acordo com o levantamento, foram identificados 43 fragmentos de vegetação nativa em 11 municípios da costa fluminense onde essa linhagem ocorre, número significativamente superior aos 13 registros conhecidos anteriormente.
Linhagem Exclusiva do Rio Está Entre as Mais Ameaçadas
A linhagem Paubrasilia echinata arruda-RJ ocorre exclusivamente no estado do Rio de Janeiro e integra uma das cinco variações conhecidas da espécie. O pau-brasil, historicamente explorado desde o período colonial, está atualmente classificado como “Em perigo de extinção” na lista vermelha brasileira. Segundo os pesquisadores, a atualização dos dados é considerada fundamental para direcionar estratégias mais eficazes de preservação.
Áreas Prioritárias São Definidas por Novo Protocolo
O estudo também desenvolveu um protocolo inédito para avaliar e classificar os fragmentos conforme o grau de prioridade para conservação. A metodologia pode ser aplicada a outras espécies e linhagens ameaçadas. Com base nesse modelo, foram identificados: 8 fragmentos de alta prioridade; 25 de média prioridade; 10 de baixa prioridade. Entre as ações recomendadas estão a conservação in situ e ex situ, restauração ecológica, manejo do uso da terra e recuperação de áreas degradadas.
Urbanização É Principal Ameaça à Espécie
A urbanização foi apontada como o principal fator de risco para a sobrevivência da linhagem, presente em 32 dos 43 fragmentos analisados. Outras pressões identificadas incluem atividades como: produção e transmissão de energia; mineração; agricultura e pecuária; presença de espécies invasoras, incêndios e poluição. Segundo o estudo, esses fatores comprometem diretamente a diversidade genética e a continuidade da espécie no território fluminense.
Pesquisa Envolve Instituições Nacionais e Internacionais
O trabalho é resultado da tese de doutorado da pesquisadora Patricia da Rosa, vinculada ao Herbarium Bradeanum da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com orientação de Haroldo Lima, no programa de pós-graduação do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
O estudo contou ainda com a participação de instituições como Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), Kew Gardens, Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e Universidade Federal Fluminense (UFF), além de apoio de programas de fomento como CAPES, Funbio e outras instituições.
Estudo Pode Contribuir Para Metas Internacionais de Conservação
Os autores destacam que os resultados dialogam com metas globais estabelecidas pela Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), especialmente no que diz respeito à proteção de espécies ameaçadas e preservação de ecossistemas.

