O Brasil registra atualmente uma proporção menor de homens em relação às mulheres, segundo dados da Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua 2025, divulgada nesta sexta-feira (17), o país possui cerca de 95 homens para cada 100 mulheres, evidenciando um desequilíbrio demográfico que se acentua com o avanço da idade. O cenário se torna ainda mais evidente em estados como o Rio de Janeiro. Na faixa etária acima dos 60 anos, por exemplo, a proporção cai para cerca de 70 homens para cada 100 mulheres. Em São Paulo, o quadro é semelhante, com aproximadamente 76 homens para cada 100 mulheres na mesma faixa etária.
Diferença Tem Relação Com Violência e Expectativa de Vida
Segundo especialistas, a disparidade está associada principalmente às chamadas causas externas de mortalidade, como acidentes e violência urbana, que atingem de forma mais intensa a população masculina. Além disso, fatores comportamentais, como menor procura por cuidados médicos entre homens, também influenciam na diferença de expectativa de vida.
Dados do Censo 2022 indicam que o Brasil contava com mais de 104 milhões de mulheres e cerca de 98 milhões de homens, uma diferença de aproximadamente 6 milhões de pessoas. A tendência, segundo demógrafos, não é recente e vem sendo observada ao longo da última década.
Mudança Demográfica Amplia Desigualdade ao Longo do Tempo
A série histórica da PNAD mostra que a proporção entre homens e mulheres se mantém relativamente estável desde 2012, com leve predominância feminina. No entanto, a partir da fase adulta jovem, por volta dos 24 anos, a população feminina passa a superar a masculina, reflexo do maior índice de mortalidade entre homens nesse período da vida. Com o envelhecimento da população brasileira — fenômeno conhecido como transição demográfica —, essa diferença tende a se tornar ainda mais visível, especialmente nas faixas etárias mais avançadas.
Exceções Regionais e Fatores Econômicos Influenciam
Apesar da tendência nacional, alguns estados apresentam proporção maior de homens. Entre eles estão Tocantins, Mato Grosso e Santa Catarina, onde atividades econômicas como agronegócio e mineração influenciam a composição demográfica. Do ponto de vista acadêmico, estudos internacionais também analisam os impactos sociais dessa diferença. O pesquisador Paul Dolan, da London School of Economics, aponta que mulheres solteiras e sem filhos podem apresentar níveis mais elevados de bem-estar em comparação a outros grupos, embora esse tipo de análise envolva múltiplos fatores sociais e econômicos.

